A Vingança

CONTOS

  

A vingança

Depois de ser traída pelo namorado, ela só pensava em retribuir a vergonha e o constrangimento na mesma moeda

por Antonio C. Oliveira

Eu tinha apenas 22 anos quando passei por uma experiência que mudaria minha vida por completo: descobri que estava sendo traída pelo meu namorado! Eu me senti não só traída, mas inconformada. Ainda mais quando descobri que Carlos se encontrava com a melhor amiga da irmã dele, Nívea, uma menina sem graça e sem pudores, que também era comprometida.

Descobri a traição meio que por acaso. Carlos era um namorado ciumento e ficava em cima de mim o tempo todo, sem me dar tempo pra respirar – sem falar que queria transar o tempo todo. Eu nunca poderia desconfiar. Até que um dia, uma mensagem de celular equivocada levantou minha suspeita – ele me chamou pelo nome da outra numa mensagem sobre um compromisso que não existia.

Fingi que levei de boa e comecei a investigar. Aí, na minha fase de Sherlock Holmes, acabei encontrando pistas que me levaram a uma constatação surpreendente: Carlos mantinha um relacionamento com Nívea antes mesmo de namorar comigo! Depois de passar dias revoltada e pensando no que fazer, resolvi que deveria pagar na mesma moeda – mas em dólar!

Não bastaria fazer meu namorado de corno. Nívea, a sem graça, também tinha que sentir o que eu havia sentido. Então, fiquei quietinha e comecei a investigar a vida da safada – o que ela fazia, onde trabalhava, o que gostava, para onde ia todos os dias, os lugares que frequentava etc. Beatriz, a minha cunhada, foi minha cúmplice, me informando de cada passo que os dois traíras davam.

Por fim, acabei conhecendo Caio, o namorado da cachorra, meio que por acaso. Era um domingão de churrasco na casa dos pais dela e Carlos cismou que tinha que ir. Dei uma de besta e concordei. Logo que chegamos, encontramos com ela e o namorado – e não é que o cara era bonito? Caio era muito lindo, tanto que, perto dela, se destacava. Os dois estavam juntos há dois anos.

“Através de Beatriz, entrei em um grupo de amigos de WhatsApp e consegui o telefone dele!

Através da Bia, entrei em um grupo de amigos de WhatsApp e consegui o telefone dele. Depois, fizemos amizade em todas as redes sociais. Aí, ficou mais fácil para monitorar. Nesse meio tempo, me aproximei de Nívea, como se ela fosse minha amiga de verdade. Aí, quando Carlos teve que viajar a trabalho num fim de semana, vi que seria a oportunidade certa para pôr meu plano em prática.

Acertamos de sair pra dançar numa sexta-feira. Eu, minha cunhada Beatriz, Nívea e Caio – ele ficou de pegar todas, levar para a boate e depois para casa. Para minha sorte, minha casa ficava próxima à dele, então ele acabou me pegando antes de Beatriz e de Nívea. E eu aproveitei bem a oportunidade.

Vesti aquele tubinho preto que delineia o corpo todo, nada de calcinha por baixo, maquiagem e cabelo matadores, perfume de caçadora e instinto puramente selvagem. Quando ele me viu, arregalou os olhos. Aí, cumprimentei ele com um selinho discreto, sem vulgaridade. Ele ficou sem graça e visivelmente excitado. Seguimos para buscar Beatriz e Nívea conversando, rindo muito – ele ficou empolgado comigo, dava pra perceber.

Quando as meninas me viram, ficaram impressionadas e me elogiaram. Não percebi nada de ciúme ou desconfiança da parte de Nívea, pelo contrário. Ela ficou me incentivando a paquerar. Chegou a falar que uns beijinhos não fariam mal algum à minha relação e que Carlos nunca saberia de nada por ela. Eu apenas ria, fingindo aceitar a brincadeira – a cachorra não fazia ideia do que eu iria aprontar.

Na boate, tudo corria do jeito que u imaginava. Chegada num álcool, Nívea entornava um drinque atrás do outro, enquanto que eu apenas fingia que bebia. Fui para a pista com Beatriz e dançamos juntas, com sensualidade. Caio não tirava os olhos de mim. Eu o encarava discretamente e fazia a pose de menina que não sabia como esconder o desejo.

Aí, Caio cochichou no ouvido de Nívea e seguiu em direção ao banheiro. Pedi a Beatriz que me desse cobertura e fui atrás dele. Parei numa escadaria perto dos banheiros e fiquei aguardando. Não demorou e ele apareceu. Nós nos encaramos e ali mesmo, sem dizer nada, ele me agarrou – e como ele beijava bem! Minhas pernas tremeram! Fiquei excitada de verdade. E com medo de que meu plano desse errado por isso!

“Então, dei meu bote: propus a ele que saíssemos dali e seguir para um lugar mais privado. Ele me encarou surpreso!

Então, dei meu bote: propus a ele que saíssemos dali e seguir para um lugar mais privado. Ele me encarou surpreso, meio sem acreditar, mas sorriu, me pegou pela mão e me arrastou por uma saída qualquer. Entramos no carro dele e seguimos para um motel. Aí, a loucura tomou conta de mim!

Transamos de todos os jeitos e de todas as maneiras possíveis. Eu me sentia possuída por um desejo de vingança maior do que eu mesma – nada era suficiente! Saquei meu celular e comecei a tirar fotos. Caio se assustou e recuou. Aí, eu contei tudo para ele, toda a história, todos os detalhes. E que mandaria as fotos para Carlos e Nívea como vingança. Aí, de repente, eu chorei. Chorei envergonhada comigo mesma por ter me deixado levar daquele jeito, por ter enganado ele àquele ponto.

Como o cavalheiro que era, Caio sentou ao meu lado e me apoiou. Disse que que desconfiava de Nívea há muito tempo, mas que, como nunca conseguia descobrir nada, continuava com ela. Ele me beijou carinhosamente e tive uma sensação de algo muito forte nascendo entre a gente. Ele disse ainda que eu poderia fazer o que quisesse com as fotos.

Fomos juntos para o chuveiro e acabamos transando novamente. Só que dessa vez foi diferente, delicado, com algo mais. Um sentimento realmente especial, mágico, havia nascido naquele momento.

***

No dia seguinte, acordei só depois do meio-dia com meu celular berrando. Era Beatriz. Contei tudo e ela dizia que não conseguia acreditar na minha coragem. Rimos muito e até chorei quando falei que havia me apaixonado – sim, me apaixonado, acredita?!

Bem, resumindo, o que começou como uma história de vingança acabou terminando como uma história de amor. Eu larguei Carlos no mesmo dia. Caio também largou Nívea – até a Bia deu um pé na bunda dela. E assumimos a relação imediatamente, para desespero deles. O melhor de tudo é que nenhum dos dois teve coragem de vir tirar satisfações, nem de mim, nem de Caio.

E agora estou vivendo um conto de amor às avessas, ao lado de um homem de verdade. É, foi uma história louca mesmo!

plugin_autorAntonio C. Oliveira é jornalista, redator e roteirista. Sergipano radicado em São Paulo desde 2002, trabalha como desenvolvedor de conteúdo para cinema, televisão, internet e celular. Escreve todas as sextas-feiras no Clube Sexy.