Muito além do pornô!

CULTURA

Muito além do pornô!

Sete filmes pornôs para ver acompanhado – e sem vergonha!

Por Antonio C. Oliveira

Já publicamos por aqui a lista de dez filmes eróticos que romperam a barreira do pornô para você assistir sem medo ao lado da pessoa amada. Agora, chegou a vez de fazer o inverso! Sim, saiba que pornografia também pode ser arte e pode ser apreciada sem vergonha – soou engraçado, não foi?

Porno Chic foi o termo criado para definir a chamada Era de Ouro do Pornô, que durou oficialmente entre 1969 e 1984. Esse período foi considerado o mais criativo e artisticamente relevante para a indústria, não só nos EUA, mas também ao redor do mundo.

Alguns filmes eram recebidos com toda a pompa de uma superprodução hollywoodiana. Várias atrizes e diretores se tornaram celebridades e as produções influenciaram diretamente cineastas do cinema convencional – que produziram nesse mesmo período pérolas como O Último Tango em Paris, Império dos Sentidos, Corpos Ardentes etc.

Até mesmo a crítica especializada se rendeu ao Porno Chic – o mais que conhecido Roger Ebert foi um deles. Boas avaliações eram publicadas em jornais e revistas de prestígio e os diretores eram tratados como verdadeiros cineastas, abandonando a imagem marginalizada de anos atrás.

A responsa pela criação do Porno Chic recaiu sobre ninguém menos que Andy Warhol, o papa da cultura pop! Em 1969, Warhol produziu um filme de baixo orçamento que mostrava um casal em um apartamento às voltas com questões existenciais e fazendo sexo sem nenhum pudor.

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Blue Movie, que já era conhecido por alguns sortudos há pelo menos um ano sob o singelo título de Fuck, estreou oficialmente no circuito de exibição americano em 13 de junho de 1969 e a repercussão, positiva e negativa, foi imediata – houve um caso no qual o público inteiro de uma sessão acabou preso e o gerente da sala multado.

Mas o “estrago” já havia sido feito. Nascia uma nova era de filmes pornográficos com pretensão artística e uma leva de cineastas e produtores que se impunham como artistas e que não tinha vergonha de se expor.

Infelizmente, como diz o ditado, “tudo que é bom dura pouco”. E a fase criativa e extremamente pretensiosa do cinema pornô caiu no ostracismo com o advento do videocassete, no início da década de 1980 – as produções se voltaram para consumidor que não queria sair de casa e as vídeo-locadoras se tornaram o templo dos amantes da pornografia.

Abaixo, você confere sete filmes essenciais para entender o que foi o Porno Chic e sua injeção de vitalidade e ousadia no cinema. Alguns são mais que conhecidos do público brasileiro, como Garganta Profunda. Já outros, são verdadeiras pérolas que só os mais aficionados conseguiram apreciar na época de seu lançamento.

Então, pegue sua pipoca (ou algo mais ousado) e se prepare para uma maratona cinematográfica que pode até deixar suas bochechas vermelhas, mas não de vergonha!

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Blue Movie, 1969 Escrito, produzido, dirigido e filmado por ninguém menos que Andy Warhol, consideradoo pai da cultura pop, Blue Movie (também chamado de Fuck) foi o primeiro filme pornô a estrear comercialmente nos cinemas americanos, marcando o início da Era de Ouro e influenciando cineastas do mundo inteiro. Na trama, um casal discute problemas pessoais e de sua época em um apartamento.

Mona, a Virgem Ninfa (Mona, the Virgin Nymph), 1970 É considerado o primeiro pornô “com história” a estrear nos cinemas. Mona é uma jovem americana que deseja se casar virgem e que usa seu notável talento em fazer boquetes para acalmar seu noivo. Só que o rapaz está decidido a ganhar o grande prêmio antes do matrimônio e arruma uma festa onde Mona vai se ver tentada a quebrar a promessa que fez para sua mãe.

Garganta Profunda (Deep Throat), 1972 Dirigido por Gerard Damiano e estrelado por Linda Lovelace, é considerado o grande pontapé do Porno Chic e se tornou um verdadeiro fenômeno cultural que rompeu barreiras. Em 1972, rendeu US$ 45 milhões nos cinemas americanos, para um custo de US$ 25 mil. E não parou por aí. Seus produtores alegam que o filme rendeu até hoje em torno de US$ 600 milhões.

Atrás da Porta Verde (Behind The Green Door), 1972 Dirigido pelos irmãos Mitchell e estrelado pela deliciosa Marilyn Chambers, foi a quarta maior bilheteria dos cinemas americanos em 1972. No ano seguinte, o filme foi selecionado para uma exibição especial no Festival de Cannes. Na trama, Chambers é sequestrada e levada a um misterioso clube com uma porta verde, onde viverá experiências desafiadoras.

O Diabo na Carne de Miss Jones (Devil in Miss Jones), 1973 Outra pérola dirigida por Damiano, que se tornou a sétima maior bilheteria dos cinemas americanos no ano de seu lançamento. O título e uma paródia com a comédia The Devil and Miss Jones (O Diabo é a Mulher, no Brasil), filme de 1941 indicado aos Oscars de roteiro e ator coadjuvante. Na trama da versão pornô, uma virgem comete suicídio, vai ao inferno, passa por um julgamento e pede para realizar todas as fantasias que não pôde em vida. Fez tanto sucesso, que teve cinco sequências, entre 1982 e 1999, e ainda um reboot em 2005, que não vingou.

Misty Beethoven (The Opening of Misty Beethoven), 1976 Dirigido por Radley Metzger, é considerado a grande “pérola” da Era de Ouro. Baseado na peça Pigmalião, de George Bernard Shaw, foi produzido com um orçamento estelar, filmado em Paris, Nova York e Roma, com uma direção de fotografia bem cuidada e trilha sonora original orquestrada, rompendo de vez o parâmetro das produções pornográficas. A história mostra a tentativa do Dr. Seymour Love em transformar a pouco atraente prostituta Misty em uma verdadeira máquina da sedução – no fim, ele será sua verdadeira vítima.

Debbie Topa Tudo (Debbie Does Dallas), 1978 Talvez o último grande sucesso da Era de Ouro do Pornô, Debbie Topa Tudo (como foi batizado por aqui) conta a história da jovem Debbie, que deseja desesperadamente participar de um concurso de líderes de torcida em Dallas, no Texas. Suas amigas de equipe então se unem para angariar fundos e financiar sua viagem. O filme marca o início da era do videocassete, vendendo 50 mil cópias em vídeo somente em locadoras americanas, algo inédito. Fez tanto sucesso que ganhou três sequências e ainda uma adaptação musical, produzida em 2002.

E aí, gostou da nossa lista? Já conhecia os filmes, tem alguma sugestão ou seu filme favorito não apareceu? Escreva para a gente, diga o que achou, critique. Este espaço foi criado para interagir com você.

Plugin_AntonioAntonio C. Oliveira é jornalista, redator e roteirista. Sergipano radicado em São Paulo desde 2002, trabalha como desenvolvedor de conteúdo para cinema, televisão, internet e celular. Escreve todas as sextas-feiras no Clube Sexy.